Apuração busca identificar responsável por registro que colocou senador no Missão e provocou desligamento automático do PL
A Polícia Federal abriu nesta terça-feira (18) uma investigação para esclarecer como o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), candidato à Presidência da República, teve sua filiação partidária alterada no sistema da Justiça Eleitoral. A mudança chegou a indicar o parlamentar como integrante do partido Missão e provocou seu desligamento automático do PL.
O inquérito foi instaurado após determinação do presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Nunes Marques. A PF deverá identificar quem realizou a inclusão, de que maneira as credenciais foram utilizadas e em quais circunstâncias a alteração foi registrada no Filia, plataforma usada para o gerenciamento das filiações partidárias.
A investigação apura possíveis crimes de falsidade ideológica e inserção de dados falsos em sistema de informações.
Alteração chegou a afetar registro da candidatura
O episódio ocorreu na semana passada, durante o período de registro das candidaturas para as eleições de 2026. Flávio Bolsonaro apareceu no sistema como filiado ao Missão, situação que temporariamente impediu o PL de registrar sua candidatura à Presidência.
A defesa do senador afirmou que ele nunca solicitou ingresso no Missão. Os advogados apresentaram ao TSE uma certidão que ainda mostrava Flávio regularmente filiado ao PL poucas horas antes da mudança aparecer no sistema.
Nunes Marques posteriormente determinou que o registro no Missão fosse desconsiderado e restabeleceu a filiação de Flávio Bolsonaro ao PL, existente desde 2021. A decisão permitiu que a candidatura presidencial fosse registrada.
TSE descarta invasão ao sistema
Segundo o TSE, as verificações realizadas até o momento não apontam para um ataque hacker ao sistema da Justiça Eleitoral. A Corte informou que a alteração teria ocorrido por meio do uso indevido de credenciais vinculadas ao próprio partido Missão.
O presidente da legenda deverá prestar esclarecimentos à Polícia Federal. O Missão também afirma ter sido vítima da fraude e declarou que pretende colaborar com as autoridades para identificar o responsável.
Como medida de segurança, o TSE suspendeu temporariamente o processamento de novas filiações pelo Filia enquanto analisa as alterações realizadas na plataforma. De acordo com o tribunal, a medida não prejudica os candidatos que disputam as eleições deste ano.
A PF deverá agora analisar registros de acesso e outras informações digitais para tentar chegar à autoria da alteração e esclarecer como as credenciais foram utilizadas.

