Video: Paes promete entrar em qualquer área do Rio e acusa PL de ligação com o crime

A segurança pública ganhou protagonismo na campanha de Eduardo Paes (PSD) ao Governo do Rio. Durante sabatina na Record, o candidato defendeu uma ofensiva para recuperar áreas sob domínio de facções e milícias e afirmou que pretende ampliar a presença permanente do Estado nesses territórios caso seja eleito.

Paes também direcionou críticas ao PL e ao grupo político ligado ao ex-governador Cláudio Castro. Durante a entrevista, afirmou que a criminalidade teria alcançado estruturas do próprio governo e declarou que “o crime estava dentro do Palácio Guanabara”.

O candidato também citou Douglas Ruas (PL), seu adversário na disputa pelo governo, ao relacioná-lo politicamente ao grupo que comandou o Estado nos últimos anos. Paes mencionou ainda casos envolvendo prisões e investigações de nomes que ocuparam posições de destaque na política fluminense.

Questionado sobre os principais desafios do próximo governo, Paes apontou a segurança como prioridade. Para ele, o enfrentamento às organizações criminosas precisa ir além de operações policiais isoladas e incluir ações de inteligência, investigação financeira e ocupação permanente das regiões recuperadas pelo poder público.

“ENTRO EM QUALQUER LUGAR”, DIZ PAES

A circulação de candidatos e autoridades por comunidades controladas pelo tráfico também entrou no debate. Paes afirmou que não aceita a ideia de que políticos precisem de autorização de criminosos para acessar determinadas regiões do Rio.

“Eu entro em qualquer lugar da cidade e do Estado do Rio de Janeiro sem pedir autorização para ninguém”, declarou.

Paes disse já ter visitado diversas vezes os complexos da Penha e do Alemão e afirmou que pretende continuar entrando em qualquer região do estado.

Durante a sabatina, o candidato também mencionou um episódio envolvendo uma igreja localizada em uma área onde atua o traficante conhecido como Peixão. Segundo o relato de Paes, uma festa junina teria sido impedida por determinação do criminoso. Ele afirmou que, na ocasião, procurou autoridades estaduais para cobrar providências.

Ao abordar a retomada de territórios, Paes ressaltou que moradores de comunidades não podem ser tratados como criminosos. Segundo o candidato, trabalhadores e famílias que vivem nessas regiões são justamente os mais prejudicados pelo controle exercido por facções e outros grupos armados.

SECRETARIA DE SEGURANÇA E AUTONOMIA PARA AS POLÍCIAS

Entre as medidas defendidas por Paes está a recriação da Secretaria de Segurança Pública, que teria a função de coordenar as ações das forças estaduais. O candidato também falou em garantir autonomia financeira às polícias Civil e Militar.

Outro compromisso apresentado durante a entrevista foi diminuir a influência política sobre decisões internas das corporações. Paes afirmou que parlamentares e grupos políticos não deverão interferir, por exemplo, na definição de comandantes de batalhões e responsáveis por delegacias.

“Polícia, segurança pública é função de Estado. Política não mete a mão em função de Estado”, afirmou.

Segundo Paes, caberá ao governador estabelecer as diretrizes da política de segurança, enquanto as decisões operacionais deverão permanecer nas mãos dos profissionais responsáveis pelas forças de segurança.

PLANO PREVÊ RETOMADA E PRESENÇA PERMANENTE DO ESTADO

A estratégia apresentada pelo candidato prevê o mapeamento das regiões mais afetadas pela criminalidade, seguido de operações para recuperar esses territórios. Depois da entrada das forças de segurança, a proposta é evitar que as organizações criminosas voltem a assumir o controle das áreas.

Paes afirmou ainda que pretende ampliar a integração com a Polícia Federal e buscar apoio de forças federais e das Forças Armadas quando considerar necessário.

Mudanças no sistema penitenciário também fazem parte das propostas apresentadas. O candidato defendeu a criação de uma unidade de segurança máxima para ampliar o isolamento de lideranças criminosas e dificultar que chefes de organizações continuem comandando atividades ilegais de dentro das prisões.

Paes também mencionou a ampliação de programas de trabalho para presos como uma das medidas que pretende implementar no sistema penitenciário do estado.

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Wallace Oliveira
5 min de leitura