A cantora e compositora baiana Nara Couto apresenta o primeiro volume de seu novo trabalho de estúdio, o álbum <b>'Travessia'</b>. O projeto explora e celebra as profundas conexões culturais e históricas que unem a Bahia aos países africanos de língua oficial portuguesa, com destaque para Cabo Verde e Guiné-Bissau. O lançamento chega às plataformas digitais com sete faixas que reafirmam a identidade afro-diaspórica por meio de arranjos com instrumentos tradicionais e parcerias internacionais.
Conexão lusófona e estrutura da obra
O disco sucede os trabalhos <i>Retinta</i> (2022) e <i>Ori</i> (2024), marcando uma nova fase na trajetória de Nara Couto. A obra foi dividida em dois volumes: esta primeira etapa traz a produção musical de Ndu Carlos, além da coprodução de Otis Selimane e da própria artista em três faixas. A segunda parte do projeto tem lançamento previsto para 2027, dando sequência à pesquisa sonora e poética iniciada neste repertório.
Sonoridades tradicionais e ancestralidade
A prévia do projeto ocorreu com o lançamento do single <i>Laço ancestral</i>, canção composta por Mateus Aleluia. A faixa conta com a participação de Mû Mbana, músico de Guiné-Bissau, e destaca instrumentos de corda tradicionais da África, como o simbi e o tonkorongh. A letra evoca a ponte estética e afetiva entre a Bahia e o continente africano.
Parcerias de destaque no repertório
O alinhamento das faixas reflete encontros com artistas de diferentes territórios lusófonos. A cantora cabo-verdiana Kady participa da música <i>Herança sagrada</i>, escrita por Nara em parceria com François Muleka. O artista Zidi Andrade, também de Cabo Verde, assina e canta na faixa <i>Djunto</i>. Representando a cena musical baiana, o compositor Tiganá Santana divide os vocais em <i>Promessa</i>, obra concebida por Nara Couto e Sued Nunes.
Mapeamento das faixas e influências
O repertório se completa com as composições <i>Mindjer doce mel</i>, assinada por Admir Lopes e Mimito; <i>Preta portê</i>, de autoria de Rafael Mike e Lucas Ramaciotti; e <i>Si ma bô</i>, parceria com os compositores portugueses Ricardo Alves e Ricardo Quintas, desenhando a rota percorrida pelo projeto entre América, África e Europa.
Trajetória e vivência artística
Natural de Salvador e criada no bairro da Liberdade, a artista atualmente reside em São Paulo. Com uma sólida formação nas artes cênicas e na dança, Nara Couto consolida sua identidade na música popular brasileira ao aliar ancestralidade, pesquisa de timbres e circulação internacional em suas produções.

