Influenciadores investigados no caso Master ajudaram a turbinar Cury nas redes

Perfis de grande alcance nas redes sociais que são citados em uma investigação da Polícia Federal relacionada ao Banco Master também participaram da intensa movimentação digital em torno da candidatura de Augusto Cury (Avante) à Presidência da República.

Segundo reportagem publicada pela revista Veja nesta quarta-feira (2), quatro páginas — Alfinetei, Alfinetada, Babadeira e Diferentona — fizeram pelo menos 17 publicações favoráveis a Cury. Juntas, as postagens alcançaram cerca de 3,7 milhões de interações.

Os mesmos perfis aparecem na apuração da Polícia Federal sobre uma suposta campanha coordenada nas redes sociais durante a crise do Banco Master. A investigação apura se influenciadores receberam recursos para publicar conteúdos contra o Banco Central no período em que a instituição financeira tentava evitar sua liquidação. Ao menos 40 perfis estariam sob análise nesse braço do caso.

Crescimento de Cury chama atenção

A movimentação aconteceu justamente no momento em que Augusto Cury registrou uma forte expansão nas redes sociais e passou a crescer também nas pesquisas eleitorais.

Após o debate presidencial da Band, realizado em 23 de agosto, o candidato ganhou aproximadamente 2,5 milhões de seguidores no Instagram em poucos dias. Um levantamento da Ativaweb DataLab apontou ainda que a taxa de engajamento do presidenciável saltou de 0,41% para 2,43%.

O crescimento digital coincidiu com a subida de Cury nas pesquisas. No levantamento BTG/Nexus, o candidato passou de 2% para 11%, assumindo a terceira colocação, atrás de Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL).

Durante esse período, diversas páginas voltadas normalmente para entretenimento, celebridades e assuntos do cotidiano começaram a publicar conteúdos sobre Cury quase simultaneamente. Algumas postagens tinham abordagens e textos semelhantes, o que despertou questionamentos de adversários sobre uma possível estratégia coordenada de divulgação.

Cury nega compra de seguidores

Até o momento, não há comprovação pública de que a campanha de Augusto Cury tenha pago os quatro perfis investigados no caso Master ou de que o candidato tenha participação na suposta operação relacionada ao banco.

Cury também nega ter comprado seguidores ou contratado influenciadores para promover artificialmente sua candidatura. Em entrevista à Veja, o presidenciável classificou as suspeitas como “absurdas” e afirmou que sua expansão nas redes ocorreu espontaneamente, impulsionada principalmente pela repercussão de suas propostas e de sua participação no debate.

A discussão pode ganhar espaço na Justiça Eleitoral caso surjam provas de pagamentos ou outras irregularidades. O Tribunal Superior Eleitoral já considerou ilegal, em julgamento anterior, a contratação não declarada de influenciadores para aumentar a popularidade de uma candidatura, entendendo que a prática pode configurar abuso do poder econômico dependendo das circunstâncias e das provas apresentadas.

Com o avanço de Cury nas pesquisas e a crescente atenção sobre sua estratégia digital, a origem e a dimensão dessa mobilização nas redes devem continuar no centro da disputa presidencial.

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Giovanna Nascimento
4 min de leitura