Uma auditoria realizada na estrutura do Governo do Estado do Rio de Janeiro identificou indícios de irregularidades que podem ter provocado perdas de aproximadamente R$ 8 bilhões por ano aos cofres públicos, valor equivalente a cerca de 8% do orçamento estadual. As informações foram divulgadas nesta quinta-feira (20) pelo jornalista Ricardo Bruno, do portal Agenda do Poder.
O levantamento é conduzido durante a gestão do governador interino Ricardo Couto e analisa contratos, despesas, programas e a estrutura de pessoal da administração estadual. Entre os problemas apontados estão suspeitas de contratos superfaturados, pagamentos de faturas sem comprovação da execução dos serviços, servidores fantasmas, programas sociais que existiriam apenas formalmente e contratações com objetos considerados duvidosos.
Segundo Ricardo Bruno, Couto teria demonstrado perplexidade, em conversas reservadas com interlocutores, diante da dimensão dos problemas encontrados. O relatório definitivo da auditoria ainda está em elaboração e deve ser concluído nos próximos dias. Por isso, os R$ 8 bilhões representam, até o momento, uma estimativa relacionada às práticas identificadas, e não um valor definitivamente comprovado por relatório final ou decisão dos órgãos de controle.
Auditoria alcança toda a estrutura estadual
O pente-fino não surgiu agora. Em abril, Ricardo Couto determinou uma auditoria ampla em secretarias, autarquias, fundações e empresas estatais do Rio. O trabalho incluiu a análise de contratos, licitações, despesas, servidores e contratações realizadas sem licitação.
A Controladoria-Geral do Estado também ficou responsável por analisar situações com indícios de irregularidades, com previsão de adoção de medidas cautelares caso fossem encontrados problemas.
De acordo com a publicação de Ricardo Bruno, parte das práticas identificadas estaria relacionada ao atendimento de demandas políticas de deputados e outros aliados. A reportagem original relata, inclusive, que um observador dos trabalhos comparou o tamanho do suposto prejuízo com os valores necessários para atender individualmente aos parlamentares, numa crítica à dimensão dos gastos encontrados.
Como a auditoria examina contratos, despesas e estruturas mantidas durante a administração estadual anterior, as descobertas colocam sob escrutínio atos praticados na máquina pública durante o período em que Cláudio Castro comandava o Governo do Rio.
Apesar disso, até a conclusão do relatório, não é possível atribuir automaticamente todo o montante estimado de R$ 8 bilhões diretamente a Castro ou afirmar que o valor tenha sido efetivamente “desviado”. A apuração divulgada até agora aponta suspeitas de desperdícios, irregularidades e práticas potencialmente criminosas que ainda precisam ser individualizadas e eventualmente encaminhadas aos órgãos competentes.
A expectativa é que o relatório final detalhe os contratos e setores envolvidos, permitindo dimensionar com maior precisão eventuais prejuízos aos cofres estaduais e identificar os responsáveis por cada irregularidade.
