O advogado José Mauro de Farias Jr., ex-secretário estadual de Transformação Digital, adquiriu imóveis avaliados em R$ 8,8 milhões durante um período de oito meses de 2025, após deixar o governo do Rio. Entre as propriedades ligadas a ele está a cobertura na Barra da Tijuca onde mora o ex-governador Cláudio Castro (PL).
As compras ocorreram entre fevereiro e outubro e incluem terrenos, uma casa, apartamentos e uma sala comercial na capital e no interior do estado. Os negócios foram realizados por meio de empresas abertas pelo ex-secretário, cujos nomes seguem um padrão formado pela letra “J” acompanhada de números sequenciais.
Em fevereiro de 2025, Farias comprou quatro terrenos no condomínio Fazenda Marambaia, em Petrópolis, por aproximadamente R$ 3,8 milhões. Dois meses depois, adquiriu uma casa no condomínio Quinta do Lago, também na Região Serrana, pelo valor de R$ 2,5 milhões. Outras propriedades foram compradas nos meses seguintes.
Farias também aparece como proprietário da cobertura usada por Cláudio Castro na Barra da Tijuca. O imóvel foi adquirido em 2023 por cerca de R$ 3,4 milhões, quando o advogado ainda integrava o governo estadual. Ele comandou a Secretaria de Transformação Digital entre 2020 e dezembro de 2024. Segundo as informações publicadas pelo Tempo Real RJ, o ex-secretário foi um dos alvos da Operação Sem Refino, deflagrada pela Polícia Federal com autorização do Supremo Tribunal Federal.
A PF investiga se a cobertura e outros benefícios teriam sido utilizados para ocultar supostas vantagens indevidas destinadas a integrantes do governo fluminense. O inquérito também apura possíveis relações entre agentes públicos e o empresário Ricardo Magro, dono da refinaria Refit e apontado como foragido da Justiça.
O contrato apresentado pela defesa informa que Castro paga R$ 10 mil por mês pelo aluguel da cobertura. Os investigadores, no entanto, apontam que imóveis semelhantes na região teriam valores de locação entre R$ 20 mil e R$ 29 mil. A PF considera que estruturas empresariais e terceiros podem ter sido usados para disfarçar a titularidade de bens e custear despesas particulares do ex-governador. A defesa de Castro nega a prática de crimes e afirma que o contrato é regular.
Em manifestação encaminhada ao STF, a defesa de José Mauro de Farias Jr. afirmou que a aquisição da cobertura foi um investimento imobiliário e que a utilização de empresas faz parte de uma estratégia comum de organização patrimonial. Também declarou que o valor do aluguel foi definido em razão da amizade entre o ex-secretário, Castro e seus familiares.
Farias sustenta ainda que construiu seu patrimônio ao longo de 30 anos e que seus rendimentos, participações empresariais e bens foram declarados à Receita Federal. A defesa também nega qualquer ligação do advogado com a Refit.
Antes de sair do governo, uma empresa da qual Farias é sócio, a Eagle Sports Empreendimentos, recebeu contratos que somaram R$ 18,4 milhões para reformas de campos de futebol. Os serviços foram financiados por empresas beneficiadas pela Lei de Incentivo ao Esporte, após aprovação de projetos pelo governo estadual.
O ex-secretário afirmou que os acordos foram firmados entre empresas privadas, com preços de mercado e serviços efetivamente entregues. As defesas de Farias e de Cláudio Castro negam todas as irregularidades investigadas.
Ex-secretário de Cláudio Castro comprou R$ 8,8 milhões em imóveis após deixar o governo

