Ex-advogado rompe com Garotinho e faz grave acusação: “cinco vezes maior que o Ceperj”

Victor Travancas deixou a defesa do ex-governador, passou a apoiar Eduardo Paes e agora sustenta que Garotinho está inelegível; candidato rebate acusações e diz que rompimento ocorreu após ex-advogado não conseguir espaço na chapa

O rompimento entre o advogado Victor Travancas e Anthony Garotinho (Republicanos) deixou os bastidores da eleição para o Governo do Rio e se transformou em uma disputa pública, com acusações de ambos os lados. Depois de deixar a defesa do ex-governador, Travancas passou a apoiar Eduardo Paes (PSD) e agora questiona a situação eleitoral de seu antigo cliente.

Em declarações divulgadas após o rompimento, Travancas afirmou que Garotinho estaria inelegível em razão da condenação por improbidade administrativa relacionada ao programa Saúde em Movimento. O advogado fez ainda uma grave acusação contra o ex-governador, comparando os valores atualizados envolvidos no processo com o escândalo do Ceperj: “Você está inelegível, você está fraudando as eleições por causa de um desvio de R$ 2 bilhões, cinco vezes o desvio do Ceperj. E eu não sabia, porque não aceitaria advogar para bandido, criminoso e corrupto”, declarou Travancas.

As acusações e qualificações acima são de responsabilidade de Victor Travancas. A situação eleitoral de Garotinho ainda é objeto de disputa judicial e cabe à Justiça Eleitoral decidir sobre o registro de sua candidatura.

Reportagens publicadas nesta quinta-feira (20) também informam que Travancas passou a defender formalmente o reconhecimento da inelegibilidade do ex-governador.
Processo envolve R$ 234 milhões e cobrança atualizada de R$ 2,55 bilhões

A condenação que está no centro da disputa tem origem no programa Saúde em Movimento. Em 2018, o Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro informou ter obtido, em segunda instância, a condenação de Garotinho por improbidade administrativa.

Segundo o MPRJ, o processo tratou de irregularidades envolvendo a contratação da Fundação Pró-Cefet e um prejuízo de R$ 234,4 milhões aos cofres públicos entre 2005 e 2006.

Além do ressarcimento, a decisão estabeleceu suspensão dos direitos políticos por oito anos e outras sanções. Mais recentemente, cálculos apresentados pelo Ministério Público atualizaram o ressarcimento originalmente fixado em R$ 234,4 milhões para aproximadamente R$ 2,55 bilhões. O órgão também cobra valores referentes a multa civil e danos morais coletivos.

A defesa de Garotinho, por outro lado, sustenta que o período de suspensão dos direitos políticos já terminou e contesta a interpretação de que ele esteja impedido de disputar as eleições de 2026. A definição sobre os efeitos da condenação no registro da candidatura caberá à Justiça Eleitoral.

Garotinho reage e acusa ex-advogado

Garotinho reagiu publicamente às declarações do antigo aliado. Em uma transmissão nas redes sociais, afirmou que Travancas teria interesse em ocupar a vaga de vice-governador em sua chapa, mas que a possibilidade foi rejeitada. Segundo o ex-governador, o rompimento teria ocorrido depois desse episódio.

Garotinho também acusou o ex-advogado de ter utilizado uma procuração para acessar informações relacionadas a outro processo e de repassar dados a adversários políticos. As acusações feitas pelo candidato contra Travancas também são de responsabilidade do próprio Garotinho.

O episódio chama atenção ainda pela mudança de posição de Travancas. Poucos dias antes do rompimento, quando ainda atuava na defesa, ele sustentava publicamente a elegibilidade de Garotinho. Após deixar o grupo político, passou a defender entendimento contrário e a questionar a candidatura do ex-governador.

A candidatura de Garotinho segue sob disputa jurídica. Enquanto a defesa afirma que não existe mais impedimento eleitoral, adversários e agora seu antigo advogado sustentam tese contrária. A palavra final será da Justiça Eleitoral.

Compartilhar este artigo
Redação
4 min de leitura