A imagem de que trabalhar como mesário é uma obrigação indesejada não se confirma entre a maioria dos convocados no Rio de Janeiro. Nas Eleições de 2026, 78% dos 143.688 mesários chamados no estado se apresentaram voluntariamente para atuar durante a votação.
O percentual coloca o Rio entre os estados com maior adesão espontânea do país. O índice é o mesmo registrado no Paraná e fica atrás somente do Distrito Federal, onde 85% dos mesários são voluntários. Em todo o Brasil, 58% dos 1.786.132 convocados decidiram exercer a função por vontade própria.
A participação voluntária também é estimulada por uma série de benefícios concedidos a quem trabalha durante as eleições.
Isenção em concursos públicos no Rio
No Estado do Rio, a Lei 9.412/21 garante aos integrantes das mesas receptoras de votos a isenção da taxa de inscrição em concursos públicos da administração estadual direta e indireta, além de fundações e entidades mantidas pelo poder público estadual.
O benefício pode ser utilizado em concursos abertos nos dois anos seguintes à convocação para o serviço eleitoral.
Para solicitar a gratuidade, o candidato precisa apresentar documento emitido pela Justiça Eleitoral comprovando a participação, com informações como nome, função exercida, turno e data da eleição.
Folgas e auxílio-alimentação
Os benefícios não ficam restritos aos concursos. Quem trabalha como mesário tem direito a dois dias de folga para cada dia de serviço prestado à Justiça Eleitoral, sem prejuízo do salário.
A conclusão do treinamento também pode gerar mais dois dias de dispensa. O período de utilização das folgas deve ser acertado com o empregador com o qual o trabalhador mantinha vínculo na época da eleição.
Durante o pleito, o mesário recebe ainda auxílio-alimentação de R$ 65 por turno trabalhado.
Estudantes universitários também podem utilizar a participação nas eleições para obter horas complementares, dependendo das regras e da adesão da instituição de ensino ao programa da Justiça Eleitoral.
O exercício da função ainda pode servir como critério de desempate em concursos públicos, desde que a previsão esteja estabelecida no respectivo edital.
Trabalho que passa de geração para geração
A publicitária Helena Aldé, de 26 anos, é um exemplo de quem decidiu participar voluntariamente desde que atingiu a maioridade. Ela se cadastrou pela primeira vez em 2018 e continuou trabalhando nas eleições seguintes.
A experiência também está presente na família. Os pais já haviam atuado como mesários quando eram mais jovens e o irmão seguiu o mesmo caminho após completar 18 anos.
Para Helena, participar da organização da votação é uma forma de acompanhar de perto um dos maiores eventos democráticos do país e contribuir diretamente para o funcionamento das eleições.
Como ser mesário voluntário
Para se candidatar à função, o eleitor precisa ter pelo menos 18 anos e estar em situação regular perante a Justiça Eleitoral.
No Rio, a inscrição pode ser realizada pelos canais do TRE-RJ, inclusive pelo formulário destinado aos voluntários e pelo aplicativo e-Título.
Mesmo quem não se oferece voluntariamente pode ser convocado pela Justiça Eleitoral. Nesse caso, o comparecimento passa a ser obrigatório. Um eventual pedido de dispensa precisa ser justificado e analisado pela Justiça Eleitoral.
Quem não pode trabalhar como mesário
Existem algumas restrições previstas pela legislação eleitoral. Candidatos e parentes até o segundo grau, inclusive por afinidade, além de cônjuges e companheiros, não podem integrar as mesas receptoras.
Também existem impedimentos envolvendo integrantes de diretórios partidários que exerçam funções executivas, determinadas autoridades, agentes policiais e ocupantes de cargos de confiança do Poder Executivo.

