Eduardo Paes diz que deputados não indicarão comandantes de batalhões nem delegados em seu governo

A influência de parlamentares sobre postos estratégicos das forças de segurança do Rio será alvo de mudanças caso Eduardo Paes (PSD) seja eleito governador. O candidato afirmou que deputados estaduais não terão espaço para indicar comandantes de batalhões da Polícia Militar nem delegados para unidades da Polícia Civil em uma eventual gestão sua à frente do Palácio Guanabara.

A declaração foi feita nesta segunda-feira (17), durante entrevista à jornalista Isabele Benito, na Rádio Tupi. Paes defendeu que as decisões sobre a estrutura e o comando das polícias sejam tomadas com critérios técnicos, sem interferência de interesses políticos.

“Eu quero avisá-los, deputados da Alerj, aqueles que são contra mim e aos que me apoiam, que no meu governo eles não vão dar palpite na segurança pública. Segurança pública é política de Estado”, afirmou.

Segundo Paes, a intenção é promover uma mudança na forma como a segurança pública é administrada no Estado do Rio. O candidato também defende a recriação de uma Secretaria de Segurança Pública para coordenar as ações das polícias Militar e Civil, mantendo a autonomia financeira das duas corporações.

Durante a entrevista, Paes relacionou a proposta às críticas que vem fazendo ao atual modelo de gestão da segurança pública estadual. Para o candidato, decisões estratégicas das forças policiais não devem estar subordinadas aos interesses de grupos ou lideranças políticas.

Paes também direcionou críticas ao ex-presidente da Assembleia Legislativa do Rio (Alerj), Rodrigo Bacellar, ao comentar o cenário político estadual.

Segundo o candidato do PSD, Bacellar seria o nome do grupo adversário para disputar o Governo do Rio antes de sua prisão.

“Quem seria meu adversário nessa eleição, candidato deles do PL do Rio, era o Rodrigo Bacellar, que está preso por ligações com o Comando Vermelho. Cada dia a gente vê que politizaram totalmente a Secretaria de Segurança. O crime foi para dentro do Palácio Guanabara, foi para dentro da Alerj”, declarou.

Paes afirmou que pretende concentrar as decisões estratégicas da segurança pública em uma estrutura profissional e integrada. Além de afastar a interferência política na escolha de comandos de batalhões e delegacias, o candidato defende maior integração entre as forças estaduais e órgãos federais de investigação e fiscalização.

Entre as instituições citadas estão Polícia Federal, Polícia Rodoviária Federal, Receita Federal, Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) e Ministério Público.

O candidato também colocou entre suas prioridades a retomada de territórios dominados pelo crime organizado. Para Paes, operações policiais precisam ser acompanhadas de inteligência, investigação e ações destinadas a atingir a estrutura financeira das organizações criminosas, evitando que grupos armados voltem a ocupar áreas recuperadas pelo Estado.

Durante a mesma entrevista, Paes defendeu ainda que criminosos armados que enfrentarem agentes das forças de segurança sejam “neutralizados”, dentro dos limites estabelecidos pela legislação.

Com as propostas, Paes coloca a segurança pública entre os principais temas de sua campanha ao Governo do Rio, defendendo mudanças na gestão das polícias, retomada de territórios e redução da influência política sobre decisões operacionais.

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Wallace Oliveira
4 min de leitura