O candidato ao Governo do Rio, Eduardo Paes (PSD), colocou o enfrentamento ao domínio territorial do crime organizado entre as principais propostas de sua campanha para a segurança pública. Nesta segunda-feira (17), durante entrevista à jornalista Isabele Benito, na Rádio Tupi, o ex-prefeito do Rio defendeu a retomada de áreas controladas por grupos criminosos e afirmou que homens armados que confrontarem agentes do Estado devem ser “neutralizados”.
Ao abordar a realização de operações policiais em comunidades e outras regiões sob influência de organizações criminosas, Paes afirmou que o Estado precisa recuperar o controle desses territórios e garantir condições para impedir que as quadrilhas retornem após a saída das forças de segurança.
“Não adianta você ir retomar um território, neutralizar um monte de bandido, e tem que neutralizar! Delinquentes que aparecem com um fuzil para enfrentar um agente do Estado, a lei permite neutralizá-lo, para não usar a expressão matar aqui, ser mais gentil. Tem que neutralizar, acabou!”, declarou.
Segundo Paes, ações policiais isoladas não serão suficientes para reduzir o poder das organizações criminosas. O candidato defendeu que a ocupação territorial seja acompanhada de investigação, inteligência e medidas destinadas a atingir a estrutura financeira dos grupos.
“Não adianta neutralizar e no dia seguinte a turma está de volta, porque não houve trabalho de investigação, não houve trabalho de inteligência”, afirmou.
Paes também anunciou que, caso seja eleito, pretende recriar uma Secretaria de Segurança Pública responsável pela coordenação das polícias Militar e Civil. De acordo com a proposta apresentada pelo candidato, as duas corporações continuariam com autonomia financeira.
O ex-prefeito afirmou ainda que pretende reduzir a interferência política nas decisões relacionadas à segurança e declarou que deputados estaduais não terão influência sobre a condução operacional da área.
“Eu quero avisá-los, deputados da Alerj, aqueles que são contra mim e aos que me apoiam, que no meu governo eles não vão dar palpite na segurança pública. Segurança pública é política de Estado”, disse.
Outra proposta apresentada durante a entrevista foi a criação de uma atuação permanente e integrada entre diferentes instituições. Paes citou órgãos como o Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), Receita Federal, Polícia Federal, Polícia Rodoviária Federal e Ministério Público.
Na avaliação do candidato, o combate às organizações criminosas precisa atingir também as fontes de financiamento, movimentações financeiras e estruturas utilizadas para manter o controle territorial.
Durante a entrevista, Eduardo Paes também fez críticas ao ex-presidente da Assembleia Legislativa do Rio (Alerj), Rodrigo Bacellar, e ao candidato ao Governo do Estado Douglas Ruas.
Paes afirmou que Bacellar seria o candidato do grupo político adversário na eleição antes de sua prisão e relacionou o episódio às críticas que faz à condução da segurança pública no estado.
“Quem seria meu adversário nessa eleição, candidato deles do PL do Rio, era o Rodrigo Bacellar, que está preso por ligações com o Comando Vermelho. Cada dia a gente vê que politizaram totalmente a Secretaria de Segurança. O crime foi para dentro do Palácio Guanabara, foi para dentro da Alerj”, declarou.
Ao falar sobre Douglas Ruas, Paes o classificou como “reserva” escolhido pelo grupo político após a prisão de Bacellar.
“Douglas Ruas é o reserva que eles arrumaram em cima da hora porque o outro foi preso. Eles iam botar o cara do Comando Vermelho sentado na cadeira do Palácio Guanabara”, afirmou.
As declarações são acusações feitas por Paes durante a entrevista e integram o embate político da campanha eleitoral.
