Douglas Ruas promete aumentar efetivo e retomar territórios controlados por traficantes e milicianos

A segurança pública voltou a ocupar espaço de destaque nas propostas apresentadas por Douglas Ruas (PL), candidato ao Governo do Rio. Durante sabatina à Jovem Pan, o presidente da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) afirmou que pretende mudar a forma como o Estado atua em regiões controladas pelo tráfico de drogas e por grupos milicianos.

A proposta defendida por Ruas prevê que as forças de segurança permaneçam nos territórios depois das operações policiais, evitando que criminosos retomem o controle das regiões.

Segundo o candidato, a estratégia passaria também por mudanças no Sistema Integrado de Metas da segurança pública. A ideia é estabelecer um indicador específico para medir a retomada de territórios dominados pelo crime organizado.

Com isso, comandantes de batalhões da Polícia Militar e delegados da Polícia Civil teriam entre seus objetivos a recuperação de áreas previamente identificadas pelo Instituto de Segurança Pública (ISP).

“O estado vai entrar e não pode mais sair”, declarou Ruas durante a entrevista.

Para ele, a presença contínua do poder público nessas regiões poderia garantir maior segurança aos moradores, além de ampliar o direito de circulação e permitir que comerciantes e trabalhadores desenvolvam suas atividades sem interferência de grupos criminosos.

Outra proposta apresentada pelo candidato é ampliar o número de policiais em atuação no estado.

Ruas afirmou que, caso seja eleito, pretende convocar candidatos aprovados em concursos públicos das forças de segurança e estabelecer um calendário para novas seleções destinadas às polícias Militar, Civil e Penal.

Segundo ele, aumentar o efetivo seria fundamental para que o Estado consiga manter presença permanente nos territórios recuperados.

“As forças de segurança precisam ter superioridade numérica para poder exercer o seu papel de Estado”, afirmou.

Ruas também criticou o modelo de operações em que policiais entram em determinada comunidade, realizam prisões ou apreensões e deixam o local posteriormente.

“Aonde a gente entrar, a gente não vai sair mais”, reforçou.

O candidato também defendeu a criação de uma estrutura permanente de integração entre o Governo do Estado e o Governo Federal para combater o tráfico de armas e drogas.

A proposta incluiria a participação de órgãos como Polícia Federal, Forças Armadas e Marinha. Na avaliação de Ruas, essa atuação conjunta deveria ocorrer independentemente das diferenças políticas entre os governos estadual e federal.

Sobre o uso de câmeras corporais por policiais, o candidato afirmou que não é contrário ao equipamento, mas considera necessário rever o modelo adotado.

Segundo ele, as câmeras podem, em determinadas situações, servir também como instrumento de proteção ao próprio policial. Ruas defendeu ainda que eventuais mudanças na política sejam discutidas com os agentes de segurança.

urante a sabatina, Douglas Ruas também falou sobre sua passagem pela Secretaria estadual das Cidades e procurou se distanciar politicamente da gestão do ex-governador Cláudio Castro.

Ruas afirmou ter “identidade própria” e destacou que, durante aproximadamente dois anos e meio à frente da secretaria, foram realizados mais de R$ 2 bilhões em investimentos distribuídos por 73 dos 92 municípios do estado.

Na área da saúde, o candidato prometeu criar centros integrados regionais para concentrar consultas com especialistas, exames de imagem e procedimentos cirúrgicos de menor complexidade.

A proposta também prevê hospitais voltados para atendimentos de maior resolutividade e parcerias com unidades privadas para reduzir filas por exames e procedimentos que não conseguem ser absorvidos pela rede pública.

Durante a entrevista, Ruas voltou a destacar sua proximidade política com Jair Bolsonaro e Flávio Bolsonaro e afirmou ter recebido do grupo político a missão de apresentar um projeto de renovação para o estado.

O candidato também criticou grupos políticos que, segundo ele, se alternaram no comando do Rio de Janeiro ao longo das últimas décadas.

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Wallace Oliveira
5 min de leitura