Uma investigação da Polícia Federal aponta que Vagner Mateus dos Santos, conhecido como Vaguinho Neguinho, candidato do PRD à Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), teria mantido relações com integrantes do Comando Vermelho (CV), Terceiro Comando Puro (TCP) e milícias da Baixada Fluminense. As informações constam de documentos utilizados pelo Ministério Público Eleitoral no pedido de impugnação da candidatura.
Vaguinho Neguinho, que exerce seu quinto mandato como vereador de Nova Iguaçu, teve o registro de candidatura indeferido pelo Tribunal Regional Eleitoral do Rio (TRE-RJ) na última segunda-feira (15). Segundo a reportagem do Metrópoles, o Ministério Público Eleitoral mencionou no processo uma ampla atuação política do candidato em áreas ligadas a diferentes grupos criminosos.
Entre os elementos apresentados pela investigação estão mensagens interceptadas pela Polícia Federal. Dono de uma empresa do setor de telecomunicações, Vaguinho teria sido procurado diretamente por um integrante do Comando Vermelho para a instalação de um ponto de internet em um local apontado como ponto de venda de drogas na região do Paraíso.
A investigação também menciona possíveis contatos com integrantes de milícias. Segundo os documentos citados pelo MP Eleitoral, foram identificadas fotografias do político ao lado de homens conhecidos como “Cientista” e “Tubarão”, apontados pelas autoridades como integrantes de grupos paramilitares com atuação em Seropédica e em outras áreas da Baixada Fluminense.
Outro episódio descrito no processo envolve uma mulher que teria procurado Vaguinho após ter objetos furtados por integrantes de uma milícia. Conforme o relato apresentado pelo Ministério Público, o candidato teria informado que alguém entraria em contato com ela. Posteriormente, os objetos teriam sido devolvidos.
Em relação ao TCP, a Polícia Federal afirma que um homem identificado como Dinei, apontado como traficante da facção, teria intermediado encontros entre Vaguinho Neguinho e Wallace de Brito Trindade, o “Lacoste”, citado na investigação como liderança do grupo criminoso na comunidade da Serrinha.
Relatórios de Inteligência Financeira do Coaf analisados durante a investigação também indicaram um empréstimo de R$ 40 mil de Vaguinho para Lacoste, segundo a reportagem.
A PF também analisou as movimentações financeiras atribuídas ao candidato. De acordo com o relatório encaminhado ao Ministério Público Eleitoral, foram identificadas movimentações de aproximadamente R$ 14,2 milhões entre março de 2020 e fevereiro de 2024. Em 2022, Vaguinho havia declarado à Justiça Eleitoral patrimônio de aproximadamente R$ 1,97 milhão. Para a eleição deste ano, declarou R$ 3,1 milhões em bens.
Os elementos fazem parte da investigação e do processo eleitoral e, por si só, não equivalem a uma condenação criminal definitiva. A reportagem consultada não apresenta, no trecho publicado, uma manifestação de Vaguinho Neguinho sobre todas as acusações mencionadas.
Candidato no RJ mantém relação com CV, TCP e milícias, aponta PF

