A relação entre o ex-governador do Rio Cláudio Castro e Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master, ganhou novos detalhes nas investigações da Polícia Federal sobre os bilhões de reais aplicados pelo Rioprevidência em negócios relacionados à instituição financeira.
Documentos da investigação apontam encontros entre Castro e Vorcaro antes e durante o período em que recursos destinados à previdência dos servidores estaduais foram direcionados ao Master. A PF também identificou mensagens que demonstrariam uma relação de proximidade entre os dois, com Castro chegando a tratar o banqueiro como “irmão”.
Entre os episódios analisados pelos investigadores estão encontros em ambientes privados e viagens ao exterior. A apuração mapeou inclusive jantares de luxo em Nova York e passou a comparar as datas desses compromissos com decisões tomadas posteriormente no Rioprevidência.
Para a Polícia Federal, a sequência dos acontecimentos é um dos pontos centrais da investigação. Os agentes identificaram proximidade temporal entre encontros de Castro e Vorcaro, mudanças em cargos estratégicos do fundo previdenciário e a realização de investimentos ligados ao Banco Master.
Segundo informações divulgadas pelo Supremo Tribunal Federal, a PF sustenta que Castro teria exercido influência política para viabilizar os investimentos e influenciado a nomeação de dirigentes para posições consideradas estratégicas no Rioprevidência, entre elas a presidência, a diretoria e a gerência de investimentos.
As suspeitas envolvem aproximadamente R$ 3,7 bilhões aplicados em letras financeiras e fundos relacionados ao Master. Inicialmente, as investigações haviam identificado R$ 970 milhões em letras financeiras entre outubro de 2023 e julho de 2024. Com o aprofundamento das apurações, foram encontrados outros aportes bilionários realizados por meio de fundos.
Outro ponto investigado é a continuidade das aplicações mesmo diante de alertas de órgãos de controle e pareceres técnicos contrários às operações. A PF apura se decisões internas foram modificadas ou direcionadas para permitir que o dinheiro continuasse sendo aplicado em produtos ligados ao banco.
Conversas encontradas no celular de Vorcaro também estão sendo analisadas. Segundo a investigação, parte do material indicaria que determinadas operações dependiam de alinhamento político. A PF tenta estabelecer se a proximidade entre o banqueiro e integrantes do governo teve influência direta sobre a destinação dos recursos previdenciários.
Ao autorizar mandados de busca e apreensão, o ministro André Mendonça considerou que os elementos apresentados apontavam indícios que justificavam o aprofundamento das investigações sobre possíveis crimes de corrupção e lavagem de dinheiro.
O caso preocupa especialmente por envolver recursos administrados pelo Rioprevidência, responsável pelas aposentadorias e pensões dos servidores públicos estaduais. Parte das aplicações investigadas não contava com a proteção do Fundo Garantidor de Créditos (FGC), o que aumenta as dúvidas sobre a recuperação integral dos valores.
A defesa de Cláudio Castro nega qualquer relação pessoal indevida com Daniel Vorcaro. Segundo seus advogados, os contatos ocorreram em agendas oficiais, encontros institucionais e eventos sociais ou de networking, sem favorecimento, negociação ilícita ou recebimento de vantagem pessoal.
As suspeitas continuam sob investigação e não representam condenação. A Polícia Federal busca agora reconstruir o caminho do dinheiro e verificar se agentes públicos receberam vantagens indevidas em troca da realização dos investimentos.
Jantares de luxo, mensagens e R$ 3,7 bilhões: PF investiga relação entre Castro e Vorcaro

