PF identifica contato direto entre Cláudio Castro e dono da Refit em mensagens apreendidas

Mensagens analisadas pela Polícia Federal indicam que o ex-governador do Rio de Janeiro Cláudio Castro mantinha contato direto com Ricardo Magro, empresário que controla a Refit, antiga Refinaria de Manguinhos. Os diálogos fazem parte da investigação da Operação Sem Refino e foram encontrados no celular de Castro.

Segundo a PF, as conversas revelam um canal considerado “direto e privilegiado” para tratar de interesses da companhia dentro do governo estadual. Em uma das mensagens, Castro afirmou a Magro: “Aqui você tem um amigo. Saiba disso”.

Os investigadores também encontraram diálogos envolvendo o advogado Marcos Joaquim Gonçalves Alves, apontado como representante de interesses da Refit. Durante uma conversa sobre uma reunião destinada a discutir a regularização fiscal da empresa, Castro teria respondido: “Eu toco por aqui”.

Em outra troca de mensagens, o advogado procurou o então governador para saber sobre o andamento de uma petição protocolada na Casa Civil. Castro respondeu que já havia cobrado providências sobre o pedido.

Na avaliação da Polícia Federal, o material mostra que o relacionamento não estaria limitado a contatos institucionais. A investigação aponta acompanhamento de processos administrativos, articulação de reuniões e monitoramento de assuntos considerados estratégicos para a refinaria.

Uma viagem de Castro a Nova York também entrou no radar dos investigadores. De acordo com a PF, Ricardo Magro teria organizado um evento patrocinado pela Refit e atuado como anfitrião do então governador durante a passagem pelos Estados Unidos.

A Operação Sem Refino apura possíveis favorecimentos à empresa em decisões administrativas, tributárias e ambientais. Um dos episódios investigados é a renovação da licença ambiental da refinaria pela Comissão Estadual de Controle Ambiental, em maio de 2024.

Ricardo Magro teve a prisão preventiva decretada pelo Supremo Tribunal Federal, está foragido e foi incluído na lista de procurados da Interpol.

A defesa de Cláudio Castro nega qualquer irregularidade e afirma que os contatos com representantes da empresa tiveram caráter institucional, relacionados principalmente à cobrança de débitos fiscais. As suspeitas ainda estão sob investigação e não representam condenação dos envolvidos.

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Redação
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