O acordo firmado entre o Banco Master, de Daniel Vorcaro, e o escritório Barci de Moraes Sociedade de Advogados, que tem entre os sócios Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), previa atuação jurídica da banca inclusive em investigações conduzidas pela Polícia Federal.
A informação foi divulgada nesta terça-feira (1º) pelo Metrópoles, com base no conteúdo do contrato. Entre os serviços previstos estava a prestação de consultoria estratégica e jurídica em procedimentos e inquéritos policiais nas polícias Federal e Civil.
O escopo da contratação era amplo. Além da atuação em investigações policiais, o documento previa serviços relacionados a procedimentos administrativos no Banco Central, Receita Federal e Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), processos judiciais em diferentes instâncias e acompanhamento de programas de integridade da instituição financeira.
O contrato ganhou nova repercussão após a Polícia Federal analisar documentos e mensagens encontrados no celular de Daniel Vorcaro. Reportagens publicadas nesta terça apontam que metadados de versões da minuta indicam alterações feitas por um usuário identificado como “Ministro Alexandre de Moraes”. O escritório afirmou que Moraes foi consultado, na condição de marido de uma das sócias, para verificar a existência de eventuais impedimentos legais antes da assinatura do acordo.
Outro ponto citado no relatório da PF envolve mensagens nas quais Vorcaro teria mencionado a necessidade de ajuda junto a “Andrei” e “Paulo”. Segundo a interpretação apresentada pela investigação, as referências poderiam ser ao diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, e ao procurador-geral da República, Paulo Gonet. Até o momento, porém, as informações divulgadas não demonstram, por si só, que Alexandre de Moraes tenha efetivamente realizado alguma intervenção em favor do banqueiro junto às autoridades.
Em manifestação anterior sobre os serviços prestados ao Banco Master, o Barci de Moraes informou que manteve uma equipe de 15 advogados dedicada à instituição, além de três escritórios especializados contratados para auxiliar nos trabalhos. Segundo a banca, durante a vigência do acordo foram realizadas 94 reuniões e produzidos 36 pareceres e opiniões jurídicas sobre diferentes áreas.
O contrato permaneceu em vigor entre fevereiro de 2024 e novembro de 2025, quando foi encerrado após a liquidação do Banco Master pelo Banco Central. O caso voltou ao centro das atenções após o ministro André Mendonça, do STF, retirar o sigilo de documentos relacionados à investigação.

