Eduardo Paes (PSD), candidato ao Governo do Estado do Rio de Janeiro, elevou o tom contra a atual composição da Assembleia Legislativa do Rio (Alerj) e voltou a associar seu principal adversário na disputa pelo Palácio Guanabara, Douglas Ruas (PL), ao grupo político que comandou o estado nos últimos anos.
Durante sabatina da VEJA+ TV nesta quinta-feira (27), Paes afirmou que, apesar de reconhecer a existência de bons parlamentares na Casa, considera que a maioria dos 70 deputados estaduais integra um ambiente político que classificou como “mafioso”.
“Não dá para generalizar, não dá para dizer que todos os deputados são delinquentes. Existem ótimos deputados e deputadas na Alerj, mas a maioria é uma maioria mafiosa”, declarou o candidato.
Paes também direcionou as críticas a Douglas Ruas, atual presidente da Alerj e candidato do PL ao governo. Para o ex-prefeito do Rio, Ruas representa a continuidade do grupo político ligado ao ex-governador Cláudio Castro e ao ex-presidente da Assembleia Rodrigo Bacellar.
Na entrevista, Paes lembrou que Bacellar chegou a ser apontado como possível candidato ao governo apoiado por integrantes do grupo político de Castro e de Flávio Bolsonaro antes de ser preso. Ao abordar o episódio, o candidato do PSD relacionou a crise política do estado às investigações envolvendo integrantes da antiga cúpula do poder fluminense.
Segundo Paes, a eleição coloca de um lado um projeto que pretende romper com o modelo dos últimos anos e, do outro, uma candidatura que, na avaliação dele, representa a manutenção do mesmo grupo no comando estadual.
Douglas Ruas tenta se afastar dessa associação durante a campanha. Em sabatina promovida por UOL e Folha, o candidato do PL afirmou desaprovar a gestão de Cláudio Castro, apesar de ter integrado o governo como secretário estadual de Cidades. Ruas também declarou que não pretende proteger aliados eventualmente envolvidos em crimes e defendeu punição para qualquer político ligado a organizações criminosas.
A ligação política de Ruas com a administração anterior, no entanto, vem sendo explorada pela campanha de Paes e por outros adversários. O presidente da Alerj conta com apoio de Flávio Bolsonaro e tenta construir sua candidatura como uma alternativa de renovação, enquanto seus adversários procuram vinculá-lo à estrutura política que governou o Rio nos últimos anos.
A troca de ataques ocorre em um momento em que Paes mantém vantagem nas pesquisas eleitorais. Levantamento Quaest divulgado nesta semana apontou o candidato do PSD com 37% das intenções de voto, contra 14% de Douglas Ruas. Anthony Garotinho (Republicanos) aparecia com 7%.
Com a campanha entrando em uma fase mais intensa, a relação entre política, segurança pública e crime organizado deve permanecer entre os principais pontos de confronto na disputa pelo Governo do Rio.

