Uma organização criminosa suspeita de roubar, clonar e revender veículos pela internet tornou-se alvo da Polícia Civil nesta quinta-feira (27). A Operação Sinal Oculto cumpre mandados em diferentes pontos da capital, além de Niterói e São Gonçalo. Um homem de 20 anos foi preso.
A ação é conduzida pela Delegacia de Roubos e Furtos de Automóveis da Capital (DRFA-CAP). Durante o cumprimento dos mandados no Jardim Novo, em Realengo, um policial civil foi baleado no rosto. Ele foi levado ao Hospital Municipal Albert Schweitzer e, segundo informações iniciais, não corre risco de morte.
De acordo com as investigações, o esquema começava com a busca por anúncios verdadeiros de veículos na internet. Os criminosos copiavam as informações desses automóveis e as utilizavam como uma espécie de “matriz” para clonar carros semelhantes obtidos ilegalmente.
Placas, números de identificação e outros sinais dos veículos roubados eram adulterados para reproduzir os dados dos carros regulares. Depois da clonagem, os automóveis voltavam a ser anunciados em redes sociais, como o TikTok, e em outras plataformas digitais. Alguns eram oferecidos por preços bem abaixo dos valores praticados no mercado.
A investigação identificou ainda nove suspeitos armados que seriam responsáveis pela segurança e pelo apoio logístico da quadrilha. Também foram encontradas referências ao uso de bloqueadores de sinal, equipamentos que podem dificultar a localização e o rastreamento de veículos roubados.
O dinheiro das vendas, conforme a polícia, era movimentado por pessoas utilizadas como “laranjas”. Os valores eram recebidos e distribuídos entre diferentes contas, inclusive por transferências via Pix. Sete beneficiários financeiros foram relacionados às transações investigadas.
As apurações também apontaram uma suposta articulação entre integrantes das facções Amigos dos Amigos (ADA) e Comando Vermelho (CV), que teriam fornecido apoio logístico e territorial às atividades do grupo.
Os mandados são cumpridos em localidades de Realengo, como Cosme e Damião, Periquito, Ideal, Cohab, Carumbé, Favela da Light, Canecão, Barata, Batan e Fumacê. As equipes também atuam em Bangu, Praça Seca, Pechincha, Tanque e Vargem Pequena, além de endereços em Niterói e São Gonçalo.
A operação busca desarticular os núcleos operacional, financeiro e digital da organização, além de localizar os pontos onde os carros eram adulterados. As investigações continuam para identificar outros envolvidos e dimensionar a atuação do grupo.
Polícia mira quadrilha que clonava carros roubados e os anunciava nas redes sociais

