Centrais sindicais convocam mobilização nacional para pressionar Senado pelo fim da escala 6×1

As centrais sindicais e os movimentos sociais preparam uma ofensiva para tentar acelerar a votação da proposta que acaba com a escala de trabalho 6×1 no Brasil. Uma mobilização nacional foi convocada para o próximo domingo (30), véspera do início de uma nova semana de esforço concentrado no Senado.

A estratégia é levar trabalhadores às ruas e ampliar a pressão sobre os senadores para que a Proposta de Emenda à Constituição seja analisada ainda antes das eleições. O esforço concentrado está previsto para ocorrer entre os dias 31 de agosto e 3 de setembro.

A PEC já passou pela Câmara dos Deputados e agora está sob análise do Senado. O texto reduz a jornada semanal de 44 para 40 horas, sem diminuição salarial, e estabelece dois dias de descanso por semana, substituindo o atual modelo de seis dias trabalhados por apenas uma folga.

O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), encaminhou a matéria à Comissão de Constituição e Justiça (CCJ). O senador Omar Aziz (PSD-AM) foi escolhido como relator e afirmou acreditar que a proposta conta com apoio suficiente para ser aprovada.

Aziz pretende apresentar seu parecer nos próximos dias. A intenção do relator é evitar alterações no conteúdo principal da PEC, já que qualquer mudança obrigaria o texto a retornar para nova votação na Câmara.

Mobilização busca acelerar votação

Representantes das centrais sindicais acreditam que a pressão popular será decisiva para colocar a proposta na pauta. Além dos atos previstos em diferentes cidades, dirigentes devem procurar diretamente os senadores durante a semana de votações.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva também passou a defender publicamente o fim da escala 6×1. O governo avalia que a redução da jornada pode avançar caso a mobilização social aumente e os parlamentares sejam pressionados em seus estados.

A proposta, no entanto, enfrenta resistência de setores empresariais e de parte da oposição, que apontam possíveis impactos sobre os custos de empresas, principalmente no comércio e no setor de serviços. Segundo o R7, aliados do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) discutem estratégias para retardar a tramitação, embora reconheçam o desgaste eleitoral de uma posição contrária à redução da jornada.

O que muda com a proposta

Caso seja aprovada, a mudança atingirá trabalhadores que atualmente cumprem jornada de até 44 horas semanais. O texto prevê:

Redução da jornada semanal para 40 horas;

Manutenção integral dos salários;

Adoção de dois dias de descanso por semana;

Folga preferencialmente aos domingos;

Substituição gradual da escala 6×1 pelo modelo 5×2.

Por se tratar de uma PEC, a matéria precisa ser aprovada em dois turnos no Senado, com pelo menos 49 votos favoráveis em cada votação. Se os senadores mantiverem o texto aprovado pela Câmara, a proposta poderá ser promulgada pelo Congresso. Caso haja mudanças, retornará para análise dos deputados.

Compartilhar este artigo
Redação
3 min de leitura