Ex-prefeito de Belford Roxo disputa uma vaga na Alerj e teve o registro questionado no TRE-RJ por adversário político
O ex-prefeito de Belford Roxo Márcio Canella (União Brasil) tornou-se alvo de uma Ação de Impugnação de Registro de Candidatura apresentada ao Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro (TRE-RJ). Canella, que chegou a ser pré-candidato ao Senado, mudou os planos eleitorais e agora tenta retornar à Assembleia Legislativa do Rio (Alerj).
Desta vez, o pedido de impugnação não foi apresentado pelo Ministério Público. A ação é de autoria de Thiago Virgilio (Republicanos), que também concorre a uma cadeira de deputado estadual nas eleições deste ano.
Entre os argumentos apresentados estão episódios envolvendo Canella e pessoas que fizeram parte de seu grupo político em Belford Roxo. A ação também menciona alegações de suposta interlocução com traficantes e relações políticas com pessoas apontadas como integrantes de milícia. As acusações ainda precisam ser analisadas pela Justiça Eleitoral e não significam, por si só, que a candidatura será barrada.
Operação da PF é citada na ação
Outro episódio incluído no pedido é a prisão de Canella durante a sexta fase da Operação Unha e Carne, da Polícia Federal, em julho. Na ocasião, um fuzil calibre 5,56 foi encontrado no veículo utilizado pelo político durante o cumprimento de um mandado de busca e apreensão. Canella ficou preso por alguns dias antes de ser colocado em liberdade por decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF).
Posteriormente, Moraes revogou as medidas cautelares impostas ao ex-prefeito, incluindo o monitoramento eletrônico. Segundo decisão divulgada à época, as provas reunidas até aquele momento não indicavam crime relacionado ao porte da arma.
O pedido de impugnação também menciona o programa “Barricada Zero”, implantado durante a gestão de Canella em Belford Roxo. A ação cita uma notícia-crime encaminhada ao Ministério Público com relatos de uma suposta negociação para permitir a entrada do então prefeito em áreas dominadas pelo tráfico. O próprio documento ressalta, porém, que a notícia-crime não constitui prova judicial e que as informações ainda dependem de apuração.
Canella reage
Márcio Canella afirmou estar tranquilo e disse confiar na Justiça. O candidato atribuiu a iniciativa a uma movimentação política de adversários e acusou o ex-prefeito de Belford Roxo Waguinho de estar por trás da ação.
Agora, caberá à Justiça Eleitoral analisar os argumentos apresentados e decidir sobre o pedido. Até que haja uma decisão judicial em sentido contrário, a apresentação da ação de impugnação não equivale ao indeferimento da candidatura.

