Moradores do Condomínio Jardim Água Branca, em Realengo, denunciam uma suposta nova prática de criminosos ligados à comunidade do Batan. Segundo diversos relatos encaminhados à nossa reportagem, cabos de internet da região do Posto 200 teriam sido cortados para obrigar moradores a contratar um único provedor que estaria autorizado a atuar na área.
De acordo com as denúncias, os criminosos informaram que, a partir de agora, apenas a chamada “internet do tráfico” poderá funcionar na localidade. Os relatos também afirmam que o grupo estaria exercendo influência sobre outros segmentos comerciais da região, como a venda de gelo, carvão, farinha e até ferros-velhos.
Embora a situação ainda esteja sendo apurada pelas autoridades, esse tipo de denúncia não é um caso isolado. Nos últimos anos, investigações da Polícia Civil apontaram a atuação de organizações criminosas que expulsam operadoras legalizadas, cortam cabos de empresas concorrentes e impõem provedores de internet sob seu controle em comunidades da capital, da Baixada Fluminense e da Zona Norte.
Nesta semana, inclusive, a Polícia Civil deflagrou a Operação Rede Obscura, contra empresas suspeitas de explorar clandestinamente o serviço de internet com apoio de facções criminosas. Segundo as investigações, os grupos utilizavam homens armados para impedir a entrada de operadoras autorizadas e manter o monopólio do serviço em diversas comunidades.
Dados divulgados pela Secretaria de Estado de Segurança Pública mostram que a exploração ilegal da internet já se tornou uma importante fonte de renda para o crime organizado. Um levantamento da Subsecretaria de Inteligência aponta que cerca de 80% das empresas de internet que atuam em comunidades possuem algum tipo de vínculo ou associação com organizações criminosas, motivo pelo qual foi criada uma força-tarefa com a Anatel para combater provedores clandestinos.
Sobre o caso de Realengo, moradores informaram que policiais do 14º BPM estiveram no local. Segundo os relatos, as pessoas que realizavam o serviço afirmaram representar uma empresa legalmente constituída.
Procurada pela reportagem, a Polícia Civil informou que, até o momento, não há registro formal de denúncia sobre o caso.
Quem tiver informações pode denunciar de forma anônima ao Disque Denúncia, pelos telefones e WhatsApp (21) 2253-1177, pelo aplicativo oficial ou ainda encaminhar informações à Ouvidoria do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro.
