PM faz operação em Muzema e Gardênia Azul; Rio das Pedras enfrenta disputas entre milicianos e traficantes

Redação
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Comunidade enfrenta ataques após desertores da milícia passarem para o Comando Vermelho, que tenta controlar a favela após dominar a maior parte das regiões da Grande Jacarepaguá.

A Polícia Militar iniciou na manhã desta terça-feira (23) uma operação nas comunidadesda Gardênia Azul e Muzema, na Zona Sudoeste do Rio.

A favela vizinha, de Rio das Pedras, tem sido o centro de uma disputa entre tráfico e milícia que tem causado tiroteios diários e pânico para os moradores. Cemitérios clandestinos da milícia foram descobertos recentemente em Rio das Pedras.

A comunidade é um dos berços da milícia e atualmente está “imprensada” entre a Muzema e outras regiões da Zona Sudoeste já dominadas pelo Comando Vermelho na região da Grande Jacarepaguá.

Blindados da polícia circulam por Rio das Pedras — Foto: Reprodução/TV Globo

Em uma ligação de vídeo, um miliciano reclama dos criminosos que mudaram de lado na disputa por Rio das Pedras:

“Estão falando que você estão tudo com o Doca (chefe do Comando Vermelho). Qual foi, Farol? Estava com a gente aqui ontem, parceiro”
Juan Barboza de Sousa, o Farol, é quem aparece na ligação. Ele foi morto durante uma operação da Polícia Militar.

Juan Barboza de Sousa, o Farol, e José Romário da Silva, o Solteiro — Foto: Reprodução

Junto com Farol, morreu José Romário da Silva, o Solteiro. Eles integravam a milícia de Rio das Pedras, mas recentemente se aliaram ao Comando Vermelho.

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Edgar Alves de Andrade, o Doca da Penha ou Urso, traficante do Comando Vermelho — Foto: Reprodução

O chefe da facção citado na ligação é Edgar Alves de Andrade, o Doca, atualmente foragido, com 46 mandados de prisão em aberto.

Investigações da Polícia Civil apontam o desejo de Doca de tomar toda a Zona Sudoeste do Rio por razões estratégicas e sufocar toda a atuação de milicianos na região.

Moradores, por sua vez, ficam no meio do fogo cruzado e não veem outra alternativa se não deixar a região.

“Não dá nem para dormir. Isso aqui está um inferno. Não dá nem mais para morar, estou pensando seriamente em ir embora daqui”

Especialista:
O antropólogo Robson Rodrigues, coronel e ex-chefe do Estado Maior da Polícia Militar e pesquisador do Laboratório de Análise da Violência da UERJ, apontou que as movimentações de facções criminosas têm consequências no cenário criminal do Estado:

“Há uma transformação desses mercados, dessas facções criminosas, e uma transformação desse tabuleiro geocriminal”
Rodrigues ainda avaliou quais seriam as melhores soluções para reocupar regiões dominadas pelo crime organizado:

“Como solucionar isso? É uma ocupação racional e inteligente por parte do Estado, não ações intermitentes, não ações da polícia A, B ou C. É do Estado como um todo, para que territórios sejam retomados”, pontuou.

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