Ana Elisa, de 21 anos, afirma receber ameaças a cada dois minutos nas redes sociais. Governo federal quer identificar os responsáveis e apurar possível atuação organizada para intimidar a parlamentar.
As ameaças de morte e violência sexual contra a deputada federal eleita Ana Elisa Santos Silva (PT-MG), de 21 anos, chegaram ao Ministério da Justiça e Segurança Pública. Nesta sexta-feira (9), o governo federal solicitou à Polícia Federal (PF) a abertura de um inquérito para identificar e responsabilizar os autores dos ataques direcionados à parlamentar nas redes sociais.
O pedido foi encaminhado ao diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, após a deputada eleita denunciar uma escalada de intimidações. Segundo Ana Elisa, a situação chegou ao ponto de sua equipe registrar ameaças de morte e estupro a cada dois minutos.
Diante da gravidade das denúncias, o Ministério da Justiça também solicitou providências junto às plataformas X, antigo Twitter, e Meta, responsável pelo Facebook e Instagram, para identificar os responsáveis pelas mensagens e interromper as práticas denunciadas.
Deputada desativou perfil após intensificação das ameaças
Na quinta-feira (8), Ana Elisa decidiu desativar sua conta no X depois de relatar uma nova onda de ataques.
A parlamentar atribuiu o aumento das ameaças à circulação de uma publicação que, segundo ela, foi falsamente atribuída ao seu perfil e divulgada pelo deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG).
O conteúdo sugeria que Ana Elisa teria defendido o fechamento de igrejas no Brasil. A deputada eleita negou a autoria da mensagem, classificou o material como uma montagem e anunciou que pretende recorrer à Justiça Eleitoral.
As acusações sobre a divulgação da publicação e as ameaças deverão ser analisadas pelas autoridades competentes.
Ameaças também atingiram familiares
Os episódios de intimidação não começaram nesta semana. Durante a campanha eleitoral, Ana Elisa já havia procurado a Polícia Civil para denunciar ameaças de morte, estupro e ataques racistas.
Em setembro, a parlamentar recebeu um e-mail cujo autor afirmava integrar um grupo supremacista branco. A mensagem continha referências a informações pessoais da deputada eleita e ameaças direcionadas também a seus familiares.
Segundo sua equipe, medidas policiais e judiciais já haviam sido adotadas para tentar identificar o responsável.
Ministério da Justiça suspeita de atuação organizada
O documento encaminhado à Polícia Federal foi assinado pela secretária nacional de Acesso à Justiça, Sheila Santana de Carvalho.
De acordo com o Ministério da Justiça, existem indícios de que os ataques possam envolver uma rede organizada de intimidação, com atuação além do território de Minas Gerais.
A pasta também considera a possibilidade de enquadramento das condutas como crimes relacionados à violência política contra mulheres e à misoginia praticada pela internet.
A investigação deverá esclarecer a origem das ameaças, identificar os envolvidos e verificar se existe uma atuação coordenada para intimidar a parlamentar.
Ana Elisa foi eleita com mais de 524 mil votos
Aos 21 anos, Ana Elisa conquistou 524.219 votos nas eleições de 2026 e se tornou a deputada federal mais jovem eleita para a Câmara dos Deputados.
A petista também foi a segunda candidata mais votada para deputada federal em Minas Gerais, ficando atrás apenas de Nikolas Ferreira.
O caso reacende o debate sobre a violência política contra mulheres e os limites dos ataques nas redes sociais, especialmente quando divergências ideológicas passam a envolver ameaças à integridade física de representantes eleitos.
A solicitação do Ministério da Justiça representa um pedido formal de investigação, não significando, até o momento, que os responsáveis tenham sido identificados ou que exista uma conclusão sobre a autoria das ameaças.
Ministério da Justiça aciona PF para investigar ameaças de morte e estupro contra deputada eleita do PT

