Flávio Bolsonaro e Douglas Ruas tiveram mais votos em áreas de milícia, aponta FGV

Um levantamento realizado por pesquisadores da Fundação Getulio Vargas (FGV) revelou que candidatos de direita apresentaram desempenho eleitoral superior em regiões controladas por milícias no estado do Rio de Janeiro durante o primeiro turno das eleições de 2026. Entre os principais beneficiados pela diferença de votação estão o senador Flávio Bolsonaro (PL), candidato à Presidência da República, e Douglas Ruas (PL), eleito governador do estado.

A análise foi divulgada nesta quarta-feira (21) pelo UOL e examinou mais de 5 mil locais de votação em municípios fluminenses. Desse total, aproximadamente 2 mil ficam em áreas da Região Metropolitana sob influência de grupos criminosos, conforme dados territoriais do Instituto Fogo Cruzado.

Segundo o pesquisador Bruno Pantaleão, responsável pelo estudo, Flávio Bolsonaro obteve, em média, 5,6 pontos percentuais a mais nas áreas dominadas por milícias, em comparação com locais sem a presença desses grupos nos mesmos municípios.

A diferença representa aproximadamente 107 mil votos adicionais para o candidato presidencial, de acordo com a estimativa apresentada no levantamento.

No caso de Douglas Ruas, o desempenho também foi superior nas regiões sob influência de grupos criminosos. O candidato ao governo estadual registrou vantagem média de 4,7 pontos percentuais, equivalente a aproximadamente 84 mil votos.

O estudo identificou diferenças semelhantes nas disputas para deputado estadual, deputado federal e senador, indicando um padrão de votação favorável a determinados candidatos de direita nessas localidades.

Pesquisadores apontam que fatores como relações políticas locais, discursos ligados à segurança pública e possíveis práticas de clientelismo podem ajudar a explicar os resultados.

Entretanto, a concentração de votos em áreas dominadas por milícias não comprova, por si só, qualquer ligação entre os candidatos e organizações criminosas, nem significa que os eleitores tenham sido obrigados a votar em determinado nome.

Ao ser procurado pelo UOL, Flávio Bolsonaro afirmou que pretende classificar facções criminosas e milícias como organizações narcoterroristas, caso seja eleito presidente, além de defender a retomada dos territórios dominados pelo crime organizado.

O levantamento amplia o debate sobre a influência territorial das milícias e das facções criminosas na política fluminense e os desafios para garantir a liberdade de escolha dos eleitores em regiões marcadas pela presença de grupos armados.

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Giovanna Nascimento
3 min de leitura