Castro, Motta e Ciro Nogueira participaram de evento da Refit meses antes de megaoperação

Bastidores do Rio
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Meses antes da deflagração da megaoperação que mirou a Refit, apontada como a maior devedora contumaz do país, três figuras centrais da política nacional estiveram em um evento promovido pela própria empresa em Nova Iorque: Hugo Motta, então presidente da Câmara; Cláudio Castro, governador do Rio; e o senador Ciro Nogueira.

O encontro ocorreu em 12 de maio, no hotel St. Regis, e contou também com a presença do presidente da Refit, Ricardo Magro, hoje investigado por um esquema bilionário de sonegação fiscal e lavagem de dinheiro. A empresa, antiga Refinaria de Manguinhos, acumula dívidas tributárias gigantescas e é alvo habitual de questionamentos da Receita.

O evento em NYNo fórum da Refit, Hugo Motta discursou defendendo o papel do Congresso na “responsabilidade fiscal” e na melhoria do ambiente de negócios. Cláudio Castro e Ciro Nogueira também participaram da programação ao lado de empresários do setor de combustíveis.

A presença de políticos nesse encontro chamou atenção porque, à época, a Refit já possuía histórico de dívidas e investigações, além de ser alvo recorrente de debates sobre “devedores contumazes”.

A megaoperaçãoMeses depois do evento, foi deflagrada a Operação Poço Lobato, conduzida pela Receita Federal, PGFN, Ministério Público e forças policiais. A ação investiga um suposto esquema bilionário que envolveria:sonegação fiscal em larga escala;uso de empresas de fachada;movimentação de recursos por offshores e fundos;ocultação patrimonial;lavagem de dinheiro.

Entre os alvos está Jonathas Assunção, ex-braço direito de Ciro Nogueira, que atuava como responsável por “relações governamentais” da própria Refit , fato que aproximava ainda mais a empresa da cúpula política.

Repercussão e questionamentosA revelação de que Motta, Castro e Nogueira estiveram em um evento fechado da Refit pouco antes da operação gerou críticas e levantou suspeitas sobre possíveis alinhamentos políticos e lobby empresarial.

Críticos afirmam que a proximidade entre autoridades e uma empresa investigada por dívidas bilionárias levanta dúvidas sobre conflitos de interesse, especialmente porque o Congresso discutia, e adiava , medidas para endurecer punição aos grandes devedores.

Até o momento, nem a Refit nem os três políticos se pronunciaram detalhadamente sobre a participação no evento ou sobre a relação com os investigados. A empresa afirma que cumpre a legislação e contesta os cálculos da Receita.

A Refit opera em um dos setores mais estratégicos da economia. Se confirmadas as irregularidades, o rombo bilionário afeta diretamente:arrecadação pública;concorrência com outras distribuidoras;preços de combustível;credibilidade fiscal do país.

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