ALERJ exonera mais de 200 funcionários, entre eles um filho e ex-mulher de Sérgio Cabral

Bastidores do Rio
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Em meio ao recesso parlamentar, a Assembleia Legislativa do Rio (Alerj) publicou, em edição extraordinária do Diário Oficial na noite desta terça-feira (06/01), a exoneração de 206 funcionários. Comissionados indicados por políticos influentes do estado, como Sérgio Cabral e Paulo Melo, ex-presidentes da Casa, foram demitidos. Entre eles, Marco Antônio Neves Cabral e Suzana Neves Cabral, filho e ex-esposa de Sérgio Cabral. As exonerações foram assinadas pelo primeiro vice-presidente e atual presidente em exercício do Legislativo fluminense, Guilherme Delaroli (PL).

Suzana estava na Alerj desde agosto de 2016 e começou como chefe de gabinete parlamentar. Agora, tinha um cargo em comissão na Diretoria-Geral e recebia R$ 10.910,88 líquidos. Marco Antônio foi nomeado como Assistente 1, em março de 2023. Ele estava lotado na Assessoria da Presidência e ganhava R$ 9.741,91 já com descontos.

Nos corredores da Alerj, a edição extra do DO foi lida menos como um ato administrativo e mais como um recado político. A lista extensa de exonerações revelou um movimento calculado de Delaroli para desmontar estruturas antigas que atravessaram gestões e sobreviveram a sucessivos acordos internos. A avaliação entre servidores é de que a canetada não mirou apenas cargos, mas redes de influência.

Do total de exonerados, pelo menos 47 eram indicações de Paulo Melo (que presidiu a Alerj de 2011 a 2015) e 17 seriam de Sérgio Cabral (que comandou o Legislativo entre 1995 e 2003). De acordo com o RJ2, da TV Globo, a presidência da Casa suspeita que haja funcionários fantasmas entre os nomeados.

Em nota ao telejornal, Paulo Melo afirmou que a demissão é um direito legítimo de quem está no poder. Ele disse ainda que dois dos afastados — o segurança Marcelo Neves e o treinador de artes marciais Pedro Lukas — trabalhavam para a deputada Franciane Motta (Podemos), esposa do ex-parlamentar, e destacou que os dois prestaram serviços relevantes.

Internamente na Alerj, Delaroli tem repetido a aliados que herdou uma estrutura inchada e opaca, com setores que funcionavam quase de forma autônoma e pouca transparência sobre quem, de fato, trabalhava. Por isso, antes da publicação das exonerações, ele determinou uma espécie de ronda informal pelos departamentos. A ordem foi identificar quem não aparecia e quem acumulava funções apenas no papel.

Nos gabinetes, o movimento também é interpretado como uma tentativa de Delaroli de ganhar controle efetivo da máquina administrativa em um momento de incerteza política. Com a presidência em disputa e alianças ainda em rearranjo, dominar a estrutura passou a ser visto como condição para qualquer projeto de poder futuro dentro da Assembleia.

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