O destino de R$ 80 milhões em emendas parlamentares enviadas à Prefeitura de Belford Roxo, na Baixada Fluminense, passou a ser alvo de uma nova movimentação na Procuradoria-Geral da República (PGR). O procurador-geral Paulo Gonet defendeu que o Supremo Tribunal Federal (STF) compartilhe documentos e provas com o Ministério Público Eleitoral do Rio de Janeiro, que investiga possíveis irregularidades envolvendo o presidente nacional do União Brasil, Antônio Rueda, e o ex-prefeito Márcio Canella.
A manifestação foi revelada nesta sexta-feira (23) e está relacionada a uma Ação de Investigação Judicial Eleitoral (AIJE) que apura suspeitas de abuso de poder político e econômico nas eleições de 2026.
A investigação busca esclarecer como recursos federais foram destinados ao município entre 2025 e 2026, período em que Canella comandava a administração municipal.
As emendas foram apresentadas sob a identificação da liderança do União Brasil na Câmara dos Deputados, sem a divulgação individual dos parlamentares responsáveis pelas indicações.
A falta de identificação dos autores é um dos pontos centrais da apuração. Os investigadores querem saber quem participou das decisões, quais critérios foram utilizados e se houve eventual favorecimento político na distribuição das verbas.
Segundo as informações divulgadas, o Ministério Público Eleitoral pretende ter acesso a documentos apresentados pelo União Brasil ao Supremo em um processo que discute a transparência e a rastreabilidade das emendas parlamentares.
Entre os materiais solicitados estão registros sobre a participação de dirigentes partidários na definição dos recursos e eventuais referências a Antônio Rueda, Márcio Canella e deputados federais.
A intenção é cruzar essas informações com os documentos referentes às transferências realizadas para Belford Roxo e verificar se os recursos públicos foram utilizados para beneficiar projetos eleitorais.
O caso ganhou novos desdobramentos após a Polícia Federal mencionar as emendas na Operação Unha e Carne, que resultou na prisão preventiva de Márcio Canella no dia 15 de outubro.
A investigação policial também apura a atuação de uma organização criminosa suspeita de movimentar aproximadamente R$ 7,6 bilhões por meio de um esquema de lavagem de dinheiro envolvendo postos de combustíveis.
Durante a análise do celular de Canella, os investigadores encontraram uma anotação que relacionaria as emendas aos deputados federais Pedro Lucas Fernandes e Gabriel Mota.
Mota negou ter destinado os recursos e afirmou não conhecer o ex-prefeito. Pedro Lucas não havia apresentado manifestação à reportagem consultada.
A investigação eleitoral, por sua vez, procura determinar se a concentração dos recursos em Belford Roxo teve finalidade política e se a atuação de dirigentes e parlamentares configurou abuso de poder.
O pedido de compartilhamento defendido por Gonet não representa uma condenação nem comprova que as emendas tenham sido utilizadas irregularmente.
A destinação de recursos federais a municípios é uma atividade prevista na legislação. O que está sob investigação é a possível utilização dessas verbas para obter vantagem eleitoral, além da identificação dos responsáveis pelas indicações.
Caberá ao Supremo Tribunal Federal analisar o compartilhamento das informações solicitadas. Os documentos poderão contribuir para o aprofundamento da apuração conduzida pela Justiça Eleitoral do Rio de Janeiro.
O processo ainda está em andamento, e a responsabilidade dos investigados dependerá da análise das provas e das decisões judiciais.

