Dispositivos escondidos nos veículos aumentavam o valor das viagens sem que os passageiros percebessem; investigação também aponta possível ligação do esquema com o tráfico de drogas.
Uma operação da Polícia Civil do Rio de Janeiro, realizada nesta quinta-feira (8), revelou um esquema de adulteração de taxímetros que pode ter atingido centenas de passageiros do Aeroporto Internacional do Galeão, na Ilha do Governador, Zona Norte da capital. As investigações apontam que uma frota de aproximadamente 200 táxis pode estar envolvida na fraude.
Segundo a polícia, os veículos eram equipados com dispositivos eletrônicos capazes de aumentar artificialmente o preço das corridas. O mecanismo ficava escondido atrás de um botão do porta-malas e podia ser acionado discretamente pelo motorista, elevando o valor registrado no taxímetro em cerca de 20% a cada acionamento.
A investigação começou depois que um passageiro denunciou uma cobrança irregular. Ele havia acabado de desembarcar no Galeão quando foi abordado por um homem que ofereceu o serviço de táxi. Durante o percurso, percebeu que o preço da viagem aumentava de maneira repentina. Ao chegar ao destino, constatou que havia pago aproximadamente 50% a mais do que o valor normal.
O veículo foi localizado e passou por uma perícia do Instituto de Criminalística Carlos Éboli (ICCE). Os técnicos encontraram uma placa eletrônica conectada ao taxímetro, responsável por manipular os sinais enviados pelo sensor do automóvel e provocar o aumento indevido da tarifa.
Empresa de locação de táxis é investigada
Com o avanço das investigações, os policiais identificaram indícios de que a fraude não seria uma iniciativa isolada de alguns motoristas, mas parte de uma estrutura organizada.
Documentos apreendidos apontam que a instalação dos equipamentos seria exigida por uma empresa responsável pela locação dos táxis. Os dispositivos eram colocados em uma oficina indicada pelo próprio grupo.
A polícia também investiga a possibilidade de alguns veículos serem entregues aos motoristas com o sistema já configurado para funcionar automaticamente, permitindo cobranças fraudulentas durante todo o trajeto.
Corridas de mais de R$ 900 e suspeita de envolvimento do tráfico
Outro ponto que chamou a atenção dos investigadores foi a atuação de pessoas conhecidas como “jóqueis”, responsáveis por abordar passageiros no aeroporto e encaminhá-los para táxis sem autorização para operar no terminal.
Os principais alvos eram turistas e visitantes que desconheciam os preços praticados na cidade. Em troca da indicação dos passageiros, os captadores recebiam comissões.
Durante as investigações, foram identificadas corridas com cobranças superiores a R$ 900 para destinos na Zona Sul do Rio.
Segundo a Polícia Civil, a atuação desses intermediários seria coordenada por um integrante do tráfico de drogas da comunidade do Barbante, localizada nas proximidades do Galeão.
Os investigadores também apuram uma tentativa do grupo de ampliar o controle sobre o transporte no aeroporto, pressionando taxistas autorizados a trabalhar com os captadores clandestinos. Até o momento, essa tentativa não teria sido concretizada.
Operação cumpre mandados em diferentes regiões do Rio
A ação é conduzida por agentes da Delegacia de Repressão aos Crimes Contra a Propriedade Imaterial (DRCPIM), da Delegacia de Atendimento Policial do Aeroporto Internacional (Dairj) e da Delegacia Especial de Apoio ao Turismo (Deat).
Os policiais cumprem mandados de busca e apreensão nos bairros do Rocha e Piedade, na Zona Norte, no Centro do Rio e nas instalações do Aeroporto do Galeão.
Entre os alvos estão uma empresa de locação de táxis, o pátio onde os veículos ficam estacionados e a oficina suspeita de instalar os dispositivos.
Diversas pessoas foram conduzidas para prestar depoimento. A Polícia Civil continua investigando a dimensão do esquema, a participação dos envolvidos e a quantidade de passageiros que podem ter sido prejudicados.
Polícia descobre esquema de fraude em cerca de 200 táxis no Galeão com corridas que chegavam a R$ 900

