O Rio de Janeiro registrou um dos maiores índices de “não voto” do país na eleição para governador em 2026. Somando abstenções, votos brancos e nulos, 35,3% dos eleitores fluminenses não escolheram nenhum candidato ao Palácio Guanabara. O percentual foi o maior do Brasil, empatado com Mato Grosso do Sul.
A abstenção, sozinha, chegou a 23,33%, o equivalente a quase 3 milhões de eleitores que não compareceram às urnas. Além disso, foram registrados 501.537 votos brancos e 675.292 votos nulos para governador.
O dado chama ainda mais atenção quando comparado à eleição presidencial no estado. Enquanto 4,97% dos eleitores fluminenses votaram branco ou nulo para presidente, esse percentual subiu para 11,9% na disputa pelo Governo do Rio.
O volume de eleitores que não escolheu nenhum candidato passou a ganhar peso político diante da possibilidade de segundo turno entre Douglas Ruas (PL) e Eduardo Paes (PSD). A realização de uma nova votação ainda depende dos desdobramentos jurídicos envolvendo os votos de Anthony Garotinho.
Na apuração do primeiro turno, Douglas Ruas recebeu 4.271.199 votos, ou 49,27%, enquanto Eduardo Paes teve 3.706.984 votos, equivalentes a 42,76%. Garotinho recebeu 274.411 votos, que seguem ligados à disputa judicial sobre sua candidatura.
A campanha de Paes passou a observar com atenção justamente o grupo formado por quem se absteve ou votou branco e nulo. A avaliação de aliados é de que reduzir esse contingente pode ser importante caso o segundo turno seja confirmado.
Outro ponto analisado é o desempenho na capital. Em 2024, Paes havia terminado a eleição municipal com uma vantagem de cerca de 900 mil votos sobre Alexandre Ramagem. Agora, na disputa estadual, a diferença sobre Ruas na cidade caiu para aproximadamente 410 mil votos.
No resultado estadual, Ruas terminou o primeiro turno com vantagem de aproximadamente 564 mil votos sobre Paes. A campanha do PSD tenta entender onde perdeu força, especialmente em regiões da capital e da Zona Oeste.
O chamado “não voto” mostra que uma parcela expressiva do eleitorado fluminense passou pelo primeiro turno sem escolher nenhum dos candidatos ao governo. Se houver uma nova votação, esse grupo deve se tornar um dos principais alvos das campanhas.

