A relação entre o presidente da Alerj, Rodrigo Bacellar, e o governador do Rio, Cláudio Castro, atingiu um novo patamar de tensão. Às vésperas de um julgamento do CEPERJ no Tribunal Superor Eleitoral (TSE) que pode tornar ambos inelegíveis, os dois se digladiam em meio a denúncias, reclamações e ameaças de investigações.
Nesta terça-feira (2), Rodrigo Bacellar afirmou que pretende instaurar uma Comissão Parlamentar de Inquérito para investigar o suposto esquema de venda de ingressos do Maracanã. Segundo ele, em dias de finais de campeonatos, os bilhetes desaparecem rapidamente do público geral e reaparecem nas mãos de cambistas.
Bacellar também expôs desconforto com o tratamento dado pelo Governo do Estado ao Legislativo. O presidente da Alerj afirma que Castro possui quatro camarotes no estádio e recebe cerca de 2 mil ingressos por partida, enquanto a Assembleia dispõe de apenas um camarote e não recebe nenhuma cota de bilhetes. O gesto foi interpretado como mais um capítulo da deterioração da relação política entre os dois.
A tensão ganhou ainda mais força após vir a público que Cláudio Castro viajou para Lima, onde acompanhou a partida do Flamengo, em uma aeronave pertencente ao advogado Willer Tomaz de Souza, preso pela Polícia Federal na Operação Greenfield.
A operação investiga fraudes em fundos de pensão e suspeitas de favorecimento a empresas ligadas ao grupo J&F, controlador da JBS. O Ministério Público Federal denunciou o advogado por corrupção ativa, violação de sigilo e obstrução de investigações. Sua prisão foi autorizada pelo então procurador-geral da República, Rodrigo Janot.
A presença do governador em uma aeronave vinculada a um investigado de alto calibre jurídico levanta questionamentos sobre suas alianças políticas e relações pessoais.
Outro ponto que alimentou a crise foi a denúncia feita pelo ex-governador Antony Garotinho, que apontou que Castro utilizava um Rolex Sky-Dweller Oyster de ouro branco, avaliado em cerca de R$ 425 mil.
Segundo Garotinho, uma reportagem do Valor Econômico publicada em 23 de janeiro deste ano, o salário bruto do governador é de R$ 21.868,14. Mesmo sem considerar descontos, seria necessário mais de dois anos de remuneração integral para adquirir o relógio de maneira compatível com sua renda oficial, o que levantou suspeitas sobre a origem do acessório de luxo.
Clima de guerra na política fluminense
O cenário é de escalada. Nos corredores da Alerj, aliados já apontam que o próximo movimento pode ser a abertura de uma CPI da Saúde, tema considerado explosivo e que atinge diretamente o deputado federal Dr. Luizinho, principal articulador político e braço direito de Castro.
A crise se instala no pior momento possível para ambos, às vésperas de um julgamento decisivo no TSE, que pode redesenhar completamente o futuro político do Rio.
A próxima matéria trará detalhes sobre a possível CPI da Saúde e como ela pode impactar o núcleo duro do governo.
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